A importância dos clubes brasileiros na formação de atletas olímpicos

Por: Hadassah Zucoloto

9 de novembro é conhecido nacionalmente como o Dia dos Clubes Esportivos e Sociais. Regulamentada pela Lei 12.333/2010, a data enaltece os clubes por todos os serviços prestados e, consequentemente, os diversos benefícios gerados na vida de seus associados. Entre os principais, estão: melhora da qualidade de vida e bem-estar; prevenção de doenças físicas e psicológicas; diminuição do estresse através do ambiente adequado para atividades físicas, lazer e integração social; etc.

Mas não são apenas os membros dos quadros associativos que lucram com as atividades desenvolvidas por essas instituições. O esporte brasileiro, por exemplo, é um dos maiores beneficiários – tendo em vista que, com a promoção da prática esportiva, as entidades assumem um papel fundamental na formação de atletas para representar o país em diversas competições, por todo o mundo.

A última edição dos Jogos Olímpicos, realizada no Rio de Janeiro, em junho e julho do ano passado, veio para consolidar a importância dos clubes no ótimo desempenho apresentado pelo Time Brasil. Segundo dados do Comitê Olímpico Brasileiro, dos 465 atletas que integraram a delegação, 390 vieram de agremiações – ou seja, 84% do total.

Mas a participação do setor clubístico não impressiona apenas pela quantidade de jovens que foram às Olimpíadas.

Dos 19 medalhistas, 17 tiveram formação em algum clube. Isso sem contar individualmente os jogadores da seleção masculina de futebol. Além disso, a delegação chegou a 71 decisões e esteve perto do pódio em 19 oportunidades, nas quais obtiveram quartas e quintas colocações.

No Rio 2016, o Brasil foi coroado, em casa, com a melhor campanha da história dos Jogos: 13° no ranking geral de medalhas, com sete ouros, seis pratas e seis bronzes. Os responsáveis por isso? Clubes.  A base de atletas nacionais é diferente das grandes potências mundiais – como o líder de ranking, Estados Unidos, onde a maioria dos medalhistas é formada em escolas e universidades.

E essa cultura não é de hoje: em Atenas 2004, 80% dos 247 atletas eram de clubes. Em Pequim 2008, o percentual teve uma pequena queda – 77% de 277 participantes. Já em Londres 2012, 87% da delegação, constituída por 259 atletas. Os números são expressivos e mostram a consistência e eficiência do trabalho realizado nas instituições esportivas e sociais ao longo dos anos.

Afinal, qual o segredo dos clubes para assumirem o papel de formador e se manterem como os principais berços de medalhistas?

Arialdo Boscolo, Presidente da FENACLUBES

O Presidente da Confederação Nacional de Clubes, Arialdo Boscolo, acredita que a tradição formadora foi construída junto com as agremiações, que carregam o esporte em seu DNA. “Em sua origem, a grande maioria dos Clubes foi fundada em torno do desejo de um grupo de pessoas em praticar uma determinada atividade esportiva. Esta prática, aliada às suas competições decorrentes, transformaram os clubes nos maiores formadores de atletas do país”, ressalta.

Boscolo comanda a FENACLUBES, uma das principais entidades do setor, desde sua fundação. O amplo conhecimento sobre as instituições associativas e esportivas nacionais e o trabalho que realizam em prol da prática esportiva lhe dão uma certeza: “A completa infraestrutura que os Clubes oferecem, com espaços exclusivos e de qualidade para a prática dos esportes olímpicos e paraolímpicos, é fundamental. Além disso, há equipes multidisciplinares qualificadas, disponíveis para auxiliar e orientar no decorrer de todo o processo de desenvolvimento do potencial esportivo de jovens”, afirma.

Para garantir que as agremiações ofereçam não só a estrutura física adequada – como aparelhos e materiais –, mas também conte com profissionais capacitados para cuidar da formação de atletas, trabalha o Comitê Brasileiro de Clubes. A CBC oferece recursos oriundos da Nova Lei Pelé, através de editais, e cabe aos clubes apresentarem projetos para obter parte deste dinheiro, que corresponde a 0,5% de toda a verba arrecadada em loterias federais e é destinado especificamente para fomentar o esporte brasileiro.

Desde 2014, a entidade publicou sete editais – os dois últimos focados nos ciclos olímpicos.

Cada edital tem um objetivo: o sexto, por exemplo, serviu para viabilizar a construção de equipes técnicas. Já o sétimo, para a compra de equipamentos e materiais esportivos. Além disso, em outubro deste ano, teve início o Campeonato Brasileiro Interclubes, que promove competições nas mais diversas modalidades por todo o Brasil. A iniciativa surgiu para elevar o nível competitivo das jovens promessas nacionais.

Jair Alfredo Pereira, Presidente do CBC

O Presidente do Comitê, Jair Alfredo Pereira, explica a importância e grandiosidade do trabalho desenvolvido: “É um dinheiro que, normalmente, o clube não teria. Os editais permitem a descentralização de recursos e potencializam a formação esportiva em clubes por todo o país, e não somente em grandes estados. Qualquer um pode receber, basta apresentar o projeto de acordo com as normas exigidas e ter responsabilidade em sua execução”, conta.

Este grande investimento garante, segundo Pereira, que a cultura de formação brasileira continuará neste mesmo berço por muito tempo e se fortalecerá cada vez mais, afinal, as instituições oferecem um ambiente diferenciado ao atleta“. Além de dar segurança, permite que a família acompanhe de perto seu crescimento. É um fator social muito importante. Por isso, é essencial fomentar os clubes, que há anos são responsáveis pelos ótimos resultados do Brasil em competições internacionais, principalmente os Jogos Olímpicos e Paralímpicos”.

Por fim, o Presidente acredita que, com uma formação responsável, teremos cada vez mais atletas de alto desempenho e revelaremos muitos outros grandes nomes. “A sociedade espera um bom desempenho por parte da delegação brasileira e, por trás dela, estão os clubes. Se continuarmos com a mesma dedicação, corresponderemos e até superaremos as expectativas do povo”, conclui.

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