Gestão de clubes em tempos de crise

Por: Roberto Libardi

Gerir um clube não é tarefa simples e, em tempos de crise, o desafio parece ainda maior. O Brasil passa por um período de incerteza, tanto na economia quanto na política, e os indicadores não são dos melhores. Edmar Lisboa Bacha, economista que participou da instituição do “Plano Real”, durante o governo de Itamar Franco, prevê que, até 2019, a situação de enfraquecimento econômico não melhore muito.

O movimento de “desinflação” ocorre lentamente, o país está estagnado e sem ritmo para acompanhar o crescimento mundial. Segundo o Fundo Monetário Internacional, a economia nacional deve crescer apenas 0,2% até o fim do ano e 1,7% em 2018, sem forças para avançar muito mais e perdendo em quase todas as comparações – até com a maioria dos países latino-americanos.

Um dos principais motivos para tamanho declínio é a falta de planejamento a longo prazo e a má gestão por parte do governo, que vem trabalhando com uma estratégia de reação aos fatos. Uma verdadeira operação tapa buraco. Isso pode acontecer também em empresas e clubes, se os dirigentes não tomarem os cuidados e precauções necessários para manter uma base sólida de desenvolvimento.

O cenário está complicado e os fatos básicos são comuns a todos: inflação, juros, dólar alto, retração do consumo, arroxo fiscal, entre outros pontos que pesam no fluxo de caixa e na gestão de nossas associações. Para surfar na onda da crise, é preciso: atenção, capacidade analítica e habilidade de ficar imune ao mau-humor que toma conta do ambiente. Principalmente para nossas associações, que tem como essência, o bem estar, a qualidade de vida e a felicidade das pessoas (nossos associados).

Um dos maiores erros que um dirigente ou gestor pode cometer, diante da atual conjuntura, é “andar com a manada”. O cenário não é o mesmo para todos os setores de mercado, cada um é afetado pela conjuntura de uma forma diferente e específica. Eu diria que esta é mais hora de focar no essencial do que de entrar em aventuras.

Nas crises também existem oportunidades, só que, quase por definição, elas não estão disponíveis para todos. Outro erro é achar, arrogantemente, que “nada mudou” ou que a crise não tem impacto sobre o nosso negócio. Provavelmente tem e é importante entender quais são.

Se quiser manter o clube sólido no mercado atual, é preciso ter confiança no negócio e investir na qualificação dos processos de gestão. Descomplicar e agilizar são as palavras de ordem no momento, realizar mais com menos.

Manter a casa organizada e sob o cuidado de pessoas competentes e devidamente treinadas para operar tais funções. Nossas associações sobreviveram a todas as crises passadas e certamente conseguiremos sobreviver por mais esta que vivemos hoje. Portanto, aposte na gestão.

Roberto Libardi é Administrador de Clubes, atuando neste mercado há 35 anos. Diretor da RL Soluções para Clubes. Consultor especialista em Clubes pela FENACLUBES e dos principais sindicatos e federações de clubes do Brasil: SINDI-CLUBE SP, SINDICLUBES PR, SINDICLUBES PA, FEDERACLUBES RS, FENABB – Federação Nacional das AABBs e SESI Departamento Nacional. Idealizador do “Programa Esportivo para Associados de Clubes – Sindi-Clube SP” – O maior programa de esporte participação do Brasil e em atividade ininterrupta, desde 1998. Gestor responsável pelos programas de Qualidade de Vida no Trabalho das empresas Natura Cosméticos e Novartis Biociência. Graduado em Gestão Desportiva e de Lazer pela UNIBAN SP. Co autor dos livros: Legados de Mega Eventos Esportivos (Ministério do Esporte e CONFEF -2008), Políticas  de Esporte para Juventude -Contribuições para o debate (Inst. Pensarte-2008), Temas para administração de clubes sociorrecreativos (Factash Editora- 2010).

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